23 Out. 1997 // 20 Abr. 1998

"Resende anos 40/90"

Júlio Resende

Galeria do Acervo | Collection Gallery

Em jeito de confissão

O objecto da minha busca? Talvez a conciliação de duas coisas aparentemente inconciliáveis.
Encontrar a forma que se ajuste ao "sentir" e à "reflexão".

A verdade é que os analistas afirmam que a minha obra deixa transparecer um expressionismo lírico. Quem primeiro o disse foi um crítico flamengo, já vai para 36 anos.

Se o expressionismo em mim, não é deliberado, o lirismo talvez aconteça por razões subjacentes a todo um povo, tido como absorto na neblina Atlântica, como parece ser o caso português.

Provavelmente é isso.

Ambivalência no sentir e no reflectir responsável por inúmeras hesitações de percurso, certamente, mas até justificáveis numa investigação criativa que assenta num propósito de autenticidade de que não abdico e do qual nunca me afastei.

A prova disso é que, no tempo, passei ao lado neo-realismo (anos 40), do abstraccionismo (anos 47/48) e dos demais "ismos", se não sobranceiramente, pelo menos sempre fiel ao sentir e à reflexão estética que comigo nasceu.

Admito pois, que me coloquem no "Index" de uma contemporaneidade marcada pela indefinição própria do "efémero", do "minimalismo" ainda que credíveis, mas até de toda a "fumisterie" consequentemente da sociedade de consumo. Admito ainda o testemunho estético dessa contemporaneidade apesar da sua vertigem dificultar uma demarcação temporal. Não será que, em rigor, oito dias bastem para o contemporâneo deixar de o ser?

Mais tarde o analista da História de Arte responderá.

Torna-se muito claro que não faço da pintura qualquer objecto especulativo, embora aceite e possa compreender que outros o façam.

Sou apenas um pintor plástico.

Resende
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1944 | Rapaz do tambor | 61,0 X 46,0 | Tinta da China e pincel
1944 | Rapaz do tambor | 61,0 X 46,0 | Tinta da China e pincel
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