16 Dez. 2008 // 1 Fev. 2009

TITO - desenhos e têmperas

Tito Roboredo (1934 - 1980) - Um corpo na primavera

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

A obra de Tito Roboredo, em parte devido à sua curta vida, em parte devido a um desinteresse pessoal por aquilo que o sistema artístico encara como carreira e, finalmente, porque a única exposição retrospectiva já ocorreu há vinte e seis anos, permanece mal conhecida.
Tito Roboredo começa a sua aprendizagem de pintura em 1955, na Academia Alvarez, fundada no ano anterior, no Porto, para promover o ensino da arte através de cursos livres, de oficinas e de exposições. O trabalho desenvolvido pelos estudantes era mostrado em exposições anuais em cujos catálogos se verifica a presença de Tito Roboredo: na 2ª Exposição, em 1956, e na 3ª Exposição, em 1958. Depois de alguns anos de presença nesta Academia, inscreve-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1958, concluindo o Curso Complementar de Pintura em 1965.
A sua presença nas Exposições Magnas, realizadas na Escola, é particularmente relevante na XII, em Novembro de 1963, no âmbito da qual apresenta dezasseis pinturas. O seu trabalho merece as seguintes palavras de Carlos Ramos: “Finalmente, a homenagem que uma vez mais, merecem os heróis desta jornada, símbolos dos talentos que por cá aparecem com relativa frequência e que, só por si, justificariam a existência e a perenidade da Escola em que se formaram. Para o efeito, elegemos por unanimidade, os nomes de José Joaquim Dias, Duarte Roboredo (Tito) e José Joaquim Rodrigues, como os mais representativos dessa escola. Um arquitecto, um pintor e um escultor. Não poderia ser melhor. (…) O segundo, finalista do Curso Geral de Pintura, impressiona pela precoce determinação de se fixar numa linguagem requintada e consistente de pintor já feito e, em consequência, por uma unidade global de processos e expressão invulgares.”
As têmperas apresentam uma dupla organização: aos fundos cromáticos diluídos, às manchas de cor estendendo-se a caminho da configuração da forma, sobrepõe-se um registo feito de delicadas figuras de tinta-da-china, de contorno muito fino, de valor quase miniatural. Verificam-se criaturas fantásticas, híbridas, animais fabulosos, figuras humanas.
O mundo organizado por Tito Roboredo gera um sistema absurdo de paradoxos, ambiguidades e sonhos, um universo tributário da sensibilidade surreal, mais do que da influência surrealista. Talvez o seu trabalho se aproxime do simbolismo e do surrealismo, não através da permanência daquilo que foram as características históricas destes movimentos, mas principalmente através do sentido de revelação e de disponibilidade para o incongruente que os atravessa.
Tito Roboredo construiu uma obra inteiramente dominada por relações simbólicas que não descodificou, por poses de quietude e de estranheza que ficaram por interpretar, por preocupações que os 25 anos de trabalho não deixaram sair da Primavera.

Laura Castro (excertos do texto do catálogo da exposição)
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S/ título | s.d.| têmpera s/ papel | 25,0 x 32,0 cm | Col. Lugar do Desenho
S/ título | s.d.| têmpera s/ papel | 25,0 x 32,0 cm | Col. Lugar do Desenho
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