24 Abr. 2004 // 18 Out. 2004

As técnicas do Desenho

Júlio Resende

Galeria do Acervo | Collection Gallery

Arrisco-me em afirmar que em arte, a técnica passa despercebida. Na dúvida de ser entendido, acrescentarei que toda afirmação vale por si própria, e isto também significa que não menosprezo as capacidades de exteriorizar essa afirmação.
A técnica é, um meio de…
Por alguma razão encontro uma resistência em aceitar os exibicionismos técnicos de um Pagannini, reconhecendo, embora, ter sido ele o maior intérprete do virtuosismo.
Por princípio, o pintor não dispõe do violino, mas sim, de vários meios a exigirem outras tantas técnicas que aplica consoante as circunstâncias. Aguarela, pastel, guacho, lápis, tinta da china, etc, são técnicas “expeditas” que pratico nas minhas deambulações que tão frequentes foram. Raramente utilizei o registo fotográfico, entendendo que o uso do bloco de papel traria vantagens na anotação emotiva.
Outras técnicas, as quais apelido “oficinais”, como: gravura, monotipia, colagem, técnica mista, elas constituem o elo de referência para a técnica do óleo, acrílico, etc. Logo se apercebe que as primeiras resultam daquilo a que chamo vivência in locco, enquanto as segundas se submetem a um estado in mente.
Todas elas têm relevância variável, segundo o perfil estético do operador, podendo mesmo ser julgadas inúteis, pela vinculação a outras propostas criativas, tais como aquelas que assentam num projecto performativo. Refira-se portanto, que são estas as obras que figuram na exposição do acervo. Caberá ao visitante o pequeno esforço de as distinguir, nos propósitos que as gerou. Afirme-se uma vez ainda, que não se trata de obras conclusivas, mas de registos pessoais, fragmentos que na circunstância, aqui foram alinhados para o entendimento de um-todo.
Nenhuma incumbência me moveu para divulgar estes pedaços de papel, humildes presenças físicas, se não a de dar conta de uma vida de buscas, atravessando as brumas obscuras da dúvida, na esperança de entrever uma luz que venha a corresponder ao supremo objectivo da consciência de pintor que sou.
Essa busca não fará sentido sem ser participada como um sinal fraterno de uma Harmonia que se deseja universal.

Resende
Março 2004
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