6 Fev. 2003 // 20 Abr. 2003

Valores Métricos Variáveis

Dadi Wirz e Krassimira Drenska

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

Desde a infância Dadi deambulou com seu pai, etnólogo, pelas ilhas do Pacífico. No fascínio pelo desenho dos mapas, logo se apaixonou pela configuração das montanhas e o serpentear dos rios. Cedo se tornou um “globe trotter” sequioso da revelação dos sinais originários da vida, extraindo do desenho surpreendentes rítmos embrionários que, dir-se-ia, a de um homem primitivo na incessante busca de um mistério da Natureza.

Esta exposição inclui trabalhos feitos durante várias viagens de Dadi, que usa a linguagem de mapas para articular o seu tema. Este vocabulário parece estar perfeitamente adequado aos seus objectivos, estando tão interessado na viagem, como ele está no seu destino final. Este interesse foi certamente desenvolvido na primeira fase da vida de Dadi. Filho de um antropólogo pioneiro do Pacífico Sul, Dadi começou a viajar pelo mundo ainda criança. Para a maioria das pessoas do nosso mundo frenético e apressado, viajar é meramente uma forma de chegar a um destino. Mas as primeiras experiências de viagem de Dadi foram longas e lentas viagens por mar, onde os detalhes podiam ser absorvidos e ponderados. Os lugares que Dadi mostra no seu trabalho são lugares que ele habitou e quis experimentar. Demorou-se em cada um deles e tornou-o o seu tema. Visita-o para discernir a subjectividade de cada lugar e festeja-o no seu trabalho.

"Valores Metricos Variáveis"
De acordo com algumas teorias, o tempo é uma unidade contida em si própria, sem início ou fim, a sua essência é indivisível e permanece imutável. A noção de tempo absoluto, acessível ao intelecto mas de difícil compreensão para os sentidos, é suplantada pelo sentimento de um fluxo infindável de momentos finitos. Condicionados por uma profunda necessidade de orientação e coordenação, nós até imaginamos o tempo a fluir em duas direcções, para diante e para trás. Um quadro brilhante é vermo-nos a nós próprios de pé, quietos, parados no presente, enquanto que o tempo segue o seu inevitável percurso para trás, para o passado. A linguagem como instrumento de diferenciação mostra uma tendência para dividir a realidade em inúmeros fragmentos. Numa tentativa de explicar, a linguagem divide, confronta opostos, revela diferenças, descreve. Numa só tentativa mostra a noção de acontecimentos numa sucessão de momentos. Se a Arte for para ser compreendida como uma linguagem de tipos, as naturezas mortas representam o género mais longínquo da narrativa, podem reflectir idealmente o estado do ser sem movimento, suspenso no tempo. Se nas minhas naturezas mortas, as mesas se tornam etapas, o único curso de acção capturado ali é o tempo de fazer as imagens. Os objectivos mostrados e os vácuos entre eles são caminhos postos lá para o nosso olhar seguir. Um olhar vagaroso que flui e pára, é a força que traz o tempo capturado de volta e o repõe no presente.
Num ambiente saturado com signos que fortemente chamam a nossa atenção, a visão é dispersa, e procura em vez de ver. Para o consumidor do visual como espectáculo, as imagens aparecem num estado de constante eclipse, ténues (N. Bryson). Mas o desenho é o meio que surge naturalmente como a forma de capturar o que não está focado, as imagens fugidias o "apanhar" de um olhar rápido. Já que concordamos que a arte é um espaço semântico habitado por signos, aceitamos o potencial que os desenhos possuem para despoletar a nossa tendência para nos entretermos com a queda livre das associações. Uma série gravita à volta de um tema base, abandona um motivo ou regressa a ele; eu uso a forma de sequência que, na minha opinião, permite que uma forma de arte basicamente estática adquira uma dimensão de tempo.
"A l’imparfait du subjectif" Eu adopto a fotografia e desenho como os meios de reter os vestígios do tempo "genuinamente meu": uma prova tangível que este percurso não é completamente ilusório.

Krassimira Drenska, Janeiro 2003
Tradução de Helena Borges
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