19 Fev. 2000 // 11 Abr. 2000

"Desenhos de Maria Keil"

Maria Keil

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

O Aflorar de um Sorriso Maria Keil é reconhecida como uma das mais notáveis impulsionadoras do ressurgimento da azulejaria artística em Portugal.
O percurso histórico do azulejo a partir das influências árabes cristãs, até ao século XVI, e depois a evolução determinada pelo gosto e pelo poder económico que culmina no esplendor do terceiro quartel dos séc. XVII e XVIII, o conservadorismo do gosto teria os seus intérpretes, alguns deles notáveis como o caso de Jorge Colaço e Rafael Bordalo Pinheiro já no início do séc. XX. Caberia aos artistas plásticos enfrentar o desafio de um suporte conveniente para seus fins criativos com vista à decoração. Almada Negreiros, Botelho e, justamente, Maria Keil surgem em sintonia com a arquitectura concebendo uma azulejaria de grandes espaços, ao explorar as hipóteses de um padrão e sua configuração na grelha própria do azulejo.
A versatilidade de tal descoberta foi surpreendente. Maria Keil concebeu o painel " O MAR" (1956-58) na Avenida Infante Santo, em Lisboa , sendo talvez a sua obra-prima, é sem dúvida, o mais digno exemplo da decoração artística portuguesa. Autora dos azulejos que animam inúmeras estações do Metropolitano de Lisboa cada uma das quais objecto de aturada investigação de formas geométricas e orgânicas, combinadas num discurso persuasivo.
Maria Keil jamais traiu a essência da estrutura quadrangular, nem tampouco a natureza do material azulejo, compromisso esse que não impediu dar rédea-livre à sua imaginação criativa.

Maria Keil na sua figura de eterna adolescência mantém um olhar de muita pureza face ao mundo sem deixar de ser judicioso perante o mesmo.
Olhar dicotómico, aliás patente na exposição que evidencia o seu humanismo inveterado.
Os seus desenhos assemelham-se a um murmurar de ternura ou de reprovação num mundo de infância e de causticidade.
Entende-se que o lirismo está ali e aqui.
O seu desenho é por si, uma ilustração resultante de um gesto que sugere mais do que quer dizer, como o aflorar de uma ideia que se mantém em transitória suspensão, para se reter no nosso imaginário.

Resende
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