25 Out. 2008 // 03 Dez. 2008

Desenhos do mar e da terra | 1983-2007

Graça Morais

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

Com a colaboração do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais - Bragança.

Quando se anuncia uma exposição de Graça Morais nunca se trata de mais uma exposição. É precisamente o caso presente. A artista cultiva o confronto com uma naturalidade surpreendente. Imparável na busca da Verdade mais Verdadeira, é no panorama da arte portuguesa um caso paradigmático de robusta determinação em avançar sem cedências a um mundo desacreditado pela manipulação de objectivos nem sempre compreensíveis. O desenho é sempre um sinal da verdade resultado de complexas forças do instinto para um significado de linguagem. Graça Morais está no lugar certo, estando no Lugar do Desenho.

Resende


Desenhos do Mar e da Terra
“Vale a pena viver porque o Mundo, apesar de tudo, apesar de todos os seus problemas, é um dom extraordinário(…)” Sophia de Mello Breyner Andresen Estes desenhos sobre tela, lona e papel resultam de uma viagem por territórios situados na Terra e no Mar. São desenhos feitos num ambiente de grande recolhimento, de muito silêncio, de uma absoluta atenção às pessoas, aos objectos e a diversas formas da natureza. É com grande satisfação que junto pedaços de um grande puzzle que venho a construir com teimosia e dedicação ao longo de muitos anos. Ainda bem que posso vê-los neste espaço, Lugar do Desenho, um sítio cheio de significado e de enorme importância aonde podemos ver, estudar e admirar a Obra do Mestre Júlio Resende. Cabe-me a Sorte de partilhar com o Mestre este lugar graças à sua generosidade e amável convite. Júlio Resende foi o meu primeiro Mestre. Recordo-o nos finais dos anos sessenta, na sala de aula de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto fumando o seu aromático cachimbo, olhando atentamente os quadros dos seus alunos. Lembro-me como ele se sentia pouco à-vontade quando tinha de dar opinião sobre a minha desajeitada pintura – o desconhecimento era grande mas o desejo e a determinação era superior. Um dia o Mestre visitou a aula de desenho do Professor Tito Reboredo, viu os meus desenhos e admirado perguntou-me porque é que eu lá em cima, na aula de pintura, não pintava como desenhava. Eu respondi porque não sabia e não era capaz de o fazer. A verdade é que cheguei e chego ao Desenho mais depressa do que à Pintura. Desenho como respiro, numa relação simples, directa e emotiva com o papel. A Pintura coloca-me maiores dúvidas, cria em mim grandes angústias e inquietações. Com esta exposição pretendo mostrar a minha admiração pelo Pintor Júlio Resende, pela sua integridade e sabedoria como Homem e Artista.

Graça Morais
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