23 Out. 2017 // 14 Out. 2018

RESENDE | LINHA DO TEMPO

Galeria do Acervo | Collection Gallery

PERÍODO DE FORMAÇÃO / PARIS

Por sobre um desenho sumário – e em desenho sumário não se queira ver pobreza ou ignorância, mas o justo conhecimento do que a matéria implica – atira a cor em manchas simples, largas. Nada de excessos ou exaltações. Júlio Resende sabe que a expressão não se atinge pela acumulação de pormenores – de desenho ou cor – mas pela sua eliminação.
Júlio Pomar


O que Resende foi descobrindo na arte expressionista de Rouault e de Permeke, e de toda uma pintura figurativa pós-picassiana, resultou de uma curiosidade pessoal e demonstra a posse de uma linguagem figurativa actualizada em dois aspectos, construção e expressão.
Rui Mário Gonçalves


ALENTEJO / PÓVOA

O encontro do artista com os camponeses do Alentejo, os pescadores de Mira, os vagabundos do Porto, a gente do sargaço ou da lota da Póvoa, na década de 50, foi para si, e para a nossa pintura, da mais alta importância. Nunca a pintura de Resende foi mais europeia, nunca a pintura de Resende foi mais portuguesa.
Eugénio de Andrade


Resende é o único dos nossos pintores que, por experiência pictórica, se comporta europeiamente. Pintor exemplar, “mestre”, em que um prazer sem complacências, tido com o ofício, e uma severa exigência de estruturação plástica, tudo domina, artista atento a um caminhar da pintura do seu tempo e nele inserido, sensível à realidade da sua terra, Júlio Resende junta, no estilo que vai criando, qualidades raras.
José-Augusto França


Esta invenção extremamente produtiva poderia ter sido o começo de um sistema que se repetisse até ao infinito. No entanto, vê-se que ela foi sentida como uma possibilidade entre outras mais, permanente exercício de construção e desconstrução que não se sistematiza e academiza, determinado e obstinado propósito de não ter receitas certas.
José Luís Porfírio


RIBEIRA NEGRA

A gente a que sempre procurou dar corpo e alma, e que lhe sai ao caminho mal pega no lápis ou no pincel, é aquela a que Fernão Lopes chamou a arraia-miúda. Isto tornou-se pura evidência a partir de Ribeira Negra, o magnificente historial da miséria e da grandeza da população ribeirinha do Porto.
Eugénio de Andrade


Toda a sabedoria que o tornou dos raros, verdadeiramente mestres da arte portuguesa do século XX assentará nesse esforço para encontrar sonoridade na voz de fraternidade humanística, desprendida de virtuosismos executivos, avessa a fixações esquemáticas, insubordinada a teorizações. Despindo cenários, descrições e pitoresco é bem o Porto transfigurado no halo da esperança, como experiente da angústia, que o pintor nos dá a ver.
Fernando Pernes


BRASIL E CABO VERDE

Isto é Brasil? Pois é. A isso cheiram essas figuras, estas imagens de festa ou acabrunhado espanto, mais ou menos afirmadas, desmembradas ou esmaecidas no entrechoque de manchas espalhadas de jacto e com largueza, ou de arabescos que a tempo se suspendem.
Mário Dionísio


Luz que decorre da melodia cromática. Melodia em que é possível constatar uma viragem nos seus valores: a da revelação da luminosidade das atmosferas do Brasil. Há desde então esplendores lumínicos e cromáticos que não existiam antes. E uma escrita ainda mais solta. A lírica de Júlio Resende atinge então todo o fulgor das grandes líricas. Para destinar uma magia que tanto está na atmosfera, como no
Joaquim Matos Chaves


GOA

Goa foi, para Resende, o último grande encontro. Visitou aquele longínquo território, outrora colónia portuguesa, em 1996, e essa nova experiência voltou a permitir-lhe descobertas. Para o dizer de uma vez, no caso, principalmente a de uma certa fluidez dos espaços. Em Goa as suas figuras concretizaram-se. Nunca, antes, a sua pintura fora tão abertamente figurativa. Nem tão intuitivamente luminosa.
Bernardo Pinto de Almeida


Há sítios que não visitámos e nos habitam mais do que aqueles que já conhecemos. Estão em nós precisamente por não termos estado neles: vivem em nós como sonho e obsessão. O verde é mais verde, o roxo é mais roxo, o vermelho mais vermelho, dentro de mim. A Goa de Júlio Resende ajuda-me – e de que modo! – a sonhar.
Eugénio Lisboa



Textos adaptados de:
ALMEIDA, Bernardo Pinto de – in Resende. Recife: Museu de Arte Moderna Aloísio de Magalhães, 2000
ANDRADE, Eugénio – “Resende, entre a angústia e a esperança”, in Os Afluentes do Silêncio. Porto: Editorial Inova, 1965.
ANDRADE, Eugénio – “Ribeira Negra”, in Júlio Resende. Ribeira Negra. Porto. . Porto: Galeria Nasoni, s.d. [1987].
CHAVES, Joaquim Matos – “Júlio Resende: em louvor da aguarela”, in Júlio Resende. Porto: Galeria Nasoni, 1989
DIONÍSIO, Mário – “Júlio Resende”, in Diário de Lisboa, 11-4-1978
FRANÇA, José-Augusto – “Sobre Júlio Resende”, in Da Pintura Portuguesa. Lisboa: Ática, 1957.
GONÇALVES, Rui Mário – “A obscura raiz do grito”, in Resende. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989
LISBOA, Eugénio – “Não ter ido a Goa”, in Júlio Resende. Como se tudo fosse infinito. Porto: Campo das Letras, 2001.


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