10 SET // 09 OUT

FILIPA CRUZ Nimium ne crede colori

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Conceder um lugar à dúvida face à produção de Filipa Cruz, implica desembaraçar-se do “que ela interroga”, para se virar sobre “como é que ela se enuncia” enquanto afirmação. O trabalho de Filipa não questiona os limites de um medium nem o espaço do texto. Ela posiciona-se num lugar de afirmações modestas, ou mais precisamente: de declarações que podem emprestar os processos de uma correspondência amorosa – lá onde quereríamos “tudo dizer” – tal como os de um mutismo pelo apagamento efetivo ou pela repetição – onde o dizer tem dificuldade em se fazer discurso.
Pousados no chão ou sobre o papel, [os objetos] tornam-se presenças no espaço. A artista estabelece um comércio com as formas que ela empresta, quer sejam volumes regulares ou tipográficos industriais, ela transforma o seu coeficiente de neutralidade elevando o seu carácter simbólico. Contudo, o objeto-símbolo não permanece estático como um achado, ele é imediatamente dissolvido por intermédio da repetição sistemática do registo, da serigrafia e do espelho. Com as suas ‘casas’, abstração de certo modo infantil do habitat, os limites do símbolo são testados pelo desdobramento.
Filipa dá-nos a ver o duplo da linguagem no seio da linguagem, escapando assim ao embaraço do inefável. No seu trabalho tudo é duplo, das casas-letras, às casas-volumes. Ora seja o reflexo ou a cópia, a história é acompanhada do seu correlato, do seu não-idêntico.
Elias Gama Paez

flyer da exposição



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