23 Jul. 1998 // 4 Ago. 1998

"Do Azul Prainhas de Aquém Mar"

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

Os arte-educadores no Brasil têm demonstrado a capacidade de lutar pela garantia do lugar da arte no currículo escolar. O paradoxo flagrante é quando se avalia a qualidade deste ensino. Por que isto acontece? Os fatores são inúmeros e não me cabe analisá-los aqui. Limito-me apenas a dizer que especialistas do ensino da arte e educadores, sobretudo a partir de Froebel, vêem a arte como indispensável para a aprendizagem e o desenvolvimento do educando. Para eles a arte surge como um processo através do qual as pessoas aprendem sobre si mesmas e o mundo circundante. Este projecto que envolveu quatro escolas de Pernambuco - Colégio Apoio, Escolinha de Arte do Recife, Escola Expoente Centro Educacional, Escola Arquipélago de Fernando de Noronha - confirma, em todas as suas etapas, qua a arte é imprescindível para o crescimento saudável dos sentidos, da imaginação e da inteligência do indivíduo. Confirma também que as imagens dos azulejos portugueses exerceram no olhar das crianças e jovens envolvidos a compreensão da vastidão do mar em muito de seus aspectos - do físico-geográfico, histórico-social, à complexidade de ícones nelas presentes. A "releitura" dos azulejos portugueses aqui apresentados não se dá simplesmente pelo viés da narrativa ou força da expressão infantil, mas sobretudo pela maneira como cada um foi capaz de ver, selecionar detalhes, desconstruir formas para construir sua própria imagem do azul, prainhas de aquém mar.

Sebastião Pedrosa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco e Presidente da Escolinha de Arte no Recife
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