23 Abr. 1998 // 23 Set. 1998

"Ribeira"

Júlio Resende

Galeria do Acervo | Collection Gallery

Numa tentativa de clarificar a evolução de um estilo no decurso de cinquenta anos, aqui se reúnem 105 trabalhos.
Do primeiro ao último, o mundo registou acontecimentos políticos, sócio-económicos, científicos, telúricos, tecnológicos, de tal monta que explicam, de certo modo, um aparente "distúrbio" em definir aquilo que deveria testemunhar uma linha de coerência na desbobinagem do tempo.
Revelam estas obras, uma busca de consciencialização do acto criativo, sobretudo as obras datadas, a partir da minha experiência de Paris (1947-1948). Então, na posse dos dados universais, teria de os "transferir" por assimilação para a minha natureza de homem Ibérico e igualmente Lusitano!...
Foi o momento da charneca Alentejana (1948-50).
A disciplina num espírito expressionista, não era uma dialética fácil...
Já no Norte do litoral, deu-se um reencontro íntimo a propiciar um novo campo de explorações estéticas e, também oficinais. Em 1971, o Nordeste Brasileiro constituiu nova perturbação de percurso, sobretudo no respeitante à resolução do espaço pictórico e no concernente à estrutura. Então, a obliquidade foi dominante.
Por alguma razão voltei inúmeras vezes aos trópicos estabelecendo vivificantes contrastes com as regiões nórdicas da Europa. Se os ventos soprando ameaçar no solo Caboverdiano constituíram um incentivo, o mesmo haveria de acontecer sob a atmosfera intimista de um espaço absorto pelo som de Gabriel Fauré.
Pelos mais recentes trabalhos de Goa se vê acentuada a predilecção do que foi, sempre, uma constante, a obra resulta por imperiosas razões vivenciais. O que a mostra revela é, tão só, isso mesmo, e não qualquer especulação estética muito menos, metafísica.
Resende
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1994 | Homens no Cais | 25,5x32 | Aguarela
1994 | Homens no Cais | 25,5x32 | Aguarela
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