25 Out. 2014 // 29 Dez. 2014

SUSANA CHASSE | LPF LANDS PROJECT.FADE

Sala3 / HISCOX seguros de arte

O Desenho que traça destinos. Esta é a subsequência de um percurso que se patenteia interminável. Projecto para Paisagem revela agora a norma da perda. A matéria que se oculta aos nossos olhos. Na realidade, a constante impermanência e esse estado oculto, que acontece a todo o momento, mas ao entender-se imperceptível, suporíamos que não existe.

Lands Project mostra-nos fragmentos de ambientes antes de se dissiparem e se tornarem outros. São visões, que pela sua fugaz existência, nos fogem à compreensão evidente mas que sobrevêm e são o caminho para uma outra ocorrência.

Em música, Fade, é o momento em que o som se dissolve. Não declara que desaparece, mas sim, que se transforma noutro som não audível à nossa percepção. É o Lugar para outras geometrias e organizações. Comporta outras harmonias. Encobre disposições matemáticas, de sons que não se ouvem, e naturezas que se metamorfoseiam. Tudo abdica por mutação e não por ausência. A concordância dessa nova realidade só se torna necessária quando uma se renova noutra. Não temos presente essa impermanência, mas sabemo-la. Fade é o momento que antecede essa passagem. De uma veracidade para outra. É a oportunidade de presenciar o momento que antecede outra composição, outro plano. Se nos unirmos demasiado à imagem presente corremos o risco de não acolhermos a representação seguinte, mas ela sucederá, novamente em Fade(in). É a beleza da inconstância. É o contínuo desvendar de passagens projectadas do centro para o Todo.

Linhas estruturais que se rebatem e nos confundem valores, como acontecimentos que nos alteram a quimera. Nada se encontra distinto e essa tentativa de desvinculação, só poderá trazer tumulto. Movimentos perpétuos de lugares inconstantes. Apartados de tempo-espaço. Logo, sem medidas, apenas perenes instantes que se ocultam.

Cores feitas de riscos revelam Lugares esboçados que se confundem com outros códigos, e se expõem até onde o nosso espírito abarca. O Desenho com destino cria desígnios, onde tudo se inaugura vezes sem conta. Ele é o Verbo, inventa o momento, cria o Lugar que Tudo/Nada contém.
Susana Chasse | 2014
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