12 Abr. 2014 // 22 Jun. 2014

CÚMULO-NIMBO | PAULO LUÍS ALMEIDA

Sala de Exposições Temporárias | Temporary Exhibitions Room

A ideia de Cúmulo-nimbo surgiu da documentação perdida de uma acção que realizei em 2012, na rua que atravessa um complexo industrial já desactivado. Essa acção, na qual um parapente colorido era manipulado para criar correspondências entre a configuração do corpo e a arquitectura da fábrica, foi na altura registada em vídeo. O vídeo mostrava as diversas tentativas de erguer o parapente na rua estreita, moldando a sua forma à forma dos telhados do edifício, como uma nuvem improvável.

A perca dessas imagens e a ausência de testemunhos visuais directos do que sucedeu (aparte de algumas fotografias que sobreviveram), tornou-se o centro do trabalho de reconstituição e rememoração desta micronarrativa através do desenho.

Regressar, agora com distância, aos desenhos que foram produzidos como parte do diálogo mantido para a filmagem e produção da performance, e aos desenhos feitos depois para recuperar a representação interna que tinha da acção enquanto a realizava, é voltar ao espaço virtual de realização de um acontecimento no momento em que ainda não teve lugar.

Estes desenhos funcionam como testemunhos (para Paul Ricoeur, o testemunho é uma categoria do traço). São afirmações que nos ligam à experiência real do que não podemos testemunhar por outros meios, protegendo-a do esquecimento.
São desenhos pretéritos, formulados por um olhar comprometido com o acontecimento, onde a narração, a ficção e a imaginação surgem como estratégias de inscrição do real no quadro comum de uma experiência.

Paulo Luís Almeida
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Cúmulo-nimbo #1 (desenho protocolar), 2013-2014. Esferográficas de várias cores sobre papel Arches, 56,5 x 76,5 cm.
Cúmulo-nimbo #1 (desenho protocolar), 2013-2014. Esferográficas de várias cores sobre papel Arches, 56,5 x 76,5 cm.
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