18 Jan. 2014 // 23 Mar. 2014

(1) Uma fábula (2) uma fantasia (3) um bestiário | Ana Jacinto Nunes

Sala 3 | Room 3

(1) Fábula As fábulas (do Latim fabula, significando "história, jogo, narrativa", literalmente "o que é dito")[1] são uma aglomeração de composições literárias em que os personagens são animais que apresentam características humanas, tais como a fala, os costumes, etc. Estas histórias terminam com um ensinamento moral de caráter instrutivo.[2][3] É um gênero muito versátil, pois permite diversas maneiras de se abordar determinado assunto.

(2) Fantasia é uma situação imaginada por um indivíduo ou grupo que não tem qualquer base na realidade, mas expressa certos desejos ou objectivos por parte do seu criador.

(3) Bestiário é um tipo de literatura descritiva do mundo animal, as bestas, muito comum nas classes monásticas do medievo. Eram catálogos manuscritos realizados por monges católicos que reuniam informação sobre animais reais e fantásticos, tal como o aspecto, o habitat em que viviam, o tipo de relação que tinham com a natureza e a sua dieta alimentar. A maioria dos bestiários foi escrita durante a baixa Idade Média, e eram acompanhados de mensagem moralizadora.


Tal como uma fábula, também o meu trabalho pretende ser uma história, um jogo ou narrativa. Uma aglomeração de composições pictóricas não redutíveis aos seus elementos. No meu bestiário é usada a figura humana para representar animais. Tento expor os valores com que nos debatemos e classificamos diariamente, mostrando a sua intemporalidade. No entanto, amorais e agnósticas as minhas fantasias comungam entre si e (assim espero) com o espectador, através não só do conteúdo mas também da forma.
O uso das fibras como base do meu trabalho resulta numa experiência empática com o meio envolvente.
O uso das fibras sob a forma de tecido surge da vontade de não condicionar a criação artística de peças devido ao seu tamanho ou dificuldade de transporte e armazenamento. Embora o painel de "felt tiles" seja monumental no seu tamanho (à semelhança dos painéis das igrejas do Séc XVI), torna-se íntimo na reclusão e contenção de um espaço onde qualquer conversa segredada ou melodia tocada será absorvida como que tecida para dentro das próprias fibras, donde nunca sairá, passando a fazer parte integrante do trabalho.

anajacintonunes.com

facebook Lugar do Desenho